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Primeiro dia do 4º Encontro Rede Terreiro Contemporâneo de dança


Foto: Victoria Arenque

Terreiro de inclusão, negócios, danças e afirmações

A Rede Terreiro Contemporâneo de Dança começou a ser pensada a partir do Fórum de Performance Negra, em 2005, organizado PELO Bando de Teatro Olodum e Companhia dos Comuns. Em sua quarta edição, que começou nesta terça-feira, 13 de outubro, em Uberlândia, depois de três edições em Belo Horizonte, inaugurou sua itinerância reafirmando os propósitos de pensar ações artísticas de caráter social e reverberação política no âmbito da construção e visualização da multiplicidades de fazeres identificados com o conceito de dança negra no Brasil. 
 
No primeiro dia, foram muitas as atividades entre debates, oficinas ações práticas e construção e reafirmação desses propósitos que unem, até domingo, artistas, programadores culturais, pesquisadores e articuladores dessa cena no Brasil. 
 
Ao apresentar o Prêmio Nacional de Expressões Culturais Afro-Brasileiras, Ruth Pinheiro, do Centro de Apoio ao Desenvolvimento Osvaldo dos Santos Neves - CADON, destacou o espelhamento e a inserção do Movimento Negro na Rede Terreiro. 
 
- Tudo o que aconteceu, não só o prêmio, mas as iniciativas outras, foram aprendizado com o Movimento Negro, que impulsiona conhecimento, aprofundamento e estudos. O Prêmio é a forma de conseguir recursos para a arte e a cultura, mostrando também as perspectivas da reserva de mercado para artistas negros e não só negros que trabalham com a cultura negra - destacou, salientando que a aliança com a Rede Terreiro amplia as possibilidades dessa ação: 
 
- Essa nossa aliança e reafirma a visão de que, quanto mais as pessoas se unirem, mais contribuem para o crescimento da cultura negra - complementou Ruth, informando que a quarta edição do Prêmio já está em fase de captação de recursos e deve ser implementado no binômio 2016-2017. 
 
Da sala de debates, na Oficina Cultural, à sala de ensaios, à tarde o bailarino e coreógrafo Elisio Pitta, abriu o primeiro dia da oficina Dança Negra Contemporânea. Por causa de uma lesão, teve auxílio de Edileusa dos Santos, artista de dança, coreógrafa, dançarina, professora e pesquisadora em arte de expressão negra. Ambos são de Salvador. Pontuadas pelo tambor de Negro Nilo, da Cia. Balé de Rua, de Uberlândia, as atividades focaram as possibilidades coreográficas que a dança negra pode oferecer aos artistas da dança a partir de vrtentes que incluem influências da dança moderna americana, afro-brasileiras, a capoeira e outras referências populares. Para a via estética, a técnica conflui e contribui destacou Pitta: 
 
- Para circular pelo mundo, não precisa se esquecer de onde se veio, mas se adaptar a onde se está, pensando para onde se está indo - disse o criador da Cia C, destacando a que estes recursos misturados têm um foco específico: 
 
- A dança pode ter também a perspectiva da adaptação dos seus criadores às necessidades de seus trabalhos. 
 
À noite, começou uma ação importante e nova da Rede Terreira, que é a Rodada de Negócios, atividade que é realizada pela primeira vez em parceria com o Sebrae, com o objetivo de e pretende oportunizar o encontro de artistas com programadores e curadores de mostras e festivais, nacionais e internacionais. 
 
Arnaldo Siqueira apresentou o Cena Cumplicidades, que movimenta Olinda, Recife, João Pessoa e inaugurou uma frente internacional, em Buenos Aires. 
 
Diana Pinheiro Pontes, de Natal, falou do Encontro de Dança e da Renda, rede de articulação de atividades que movimenta artistas e debates num ambiente que inclui a existência de duas escolas de formação em dança que atende a duas mil crianças. 
 
Curadora e programadora do Sesc Palladium, Cristiane Marques de Oliveira apresentou as várias ações do espaço que virou referência para a dança em Belo Horizonte e, aliás, sede da terceira edição da Rede Terreiro, em 2014. 
 
De Pelotas, no Rio Grande do Sul, o bailarino e coreógrafo Daniel Amaro apresentou-se em duas frentes: como criador e diretor da companhia que leva seu nome, que tem frequentando mostras e festivais pelo Brasil, e programador da 1ª Mostra de Teatro e Dança de Origem Africana. 
 
Representante da Funceb - Fundação Cultural do Estado da Bahia, Matias Santiago, professor, bailarino, coreógrafo e coordenador de dança da instituição, falou das ações e o panorama dos muitos e diferentes recortes artísticos e curatoriais de festivais que movimentam a cena baiana. 
 
Ana Alvarenga, coordenadora de Projetos Educativos e de Extensão / Cefart - Centro de Formação Artística e Tecnológica da Fundação Clóvis Salgado, também destacou atividades e inciativas em torno da dança, e teatro e música que também fomentam a cena na capital mineira. 
 
Na condição de articulador artístico, Elisio Pitta falou de ações com parecerista na América Latina para a Prince Claus Fund for Cultural Development e como membro do Council Internationale de La Danse, CID-UNESCO. 
 
Fechando as apresentações, a coreógrafa, dançarina, pesquisadora em dança, cineasta, roteirista e diretora de espetáculos cênicos Carmem Luzia Ferreira convocou o público para sua nova produção, um documentário focando a dança negra na rua, e a exibição de documentários - Cia Étnica e o jornalista e crítico de dança falou da cena e atividades da dança em Caxias do Sul (RS). 
 
Também circulou pelos diversas atividades o cineasta Allan Ribeiro da Silva, diretor do filme Esse Amor que Nos Consome, que registra imagens e depoimentos na perspectiva de um making of do encontro. 
 
Encontros, festivais, mostras e ações pontuais devidamente apresentados a artistas e demais interessados em oportunidades de projeção de seus trabalhos, grupos e companhias, nesta quarta-feira, 14, a Rodada de Negócios abre espaço para as reuniões individuais entre os interessados para a apresentação de seus trabalhos a estes curadores e programadores. É a hora da coreografia das possibilidades. 
 
- Levar esta ideia é essencial para a sobrevivência da identidade da dança negra no Brasil e abre uma perspectiva, um norte de sentido, para o conhecimento e o desenvolvimento da sociedade. Estas ações e relações se manifestam no mundo, derivam em ações artísticas, de caráter social, com alcance político. São muitos processos, pares e ímpares, que contribuem, com objetividades e subjetividades - destacou Rui Moreira. 
 
O Encontro REDE Terreiro Contemporâneo de Dança é realizado e produzido pela Associação Será Que? Cultural, com recursos da Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais e patrocínio da Petrobrás.   
 
Atividades desta quarta-feira Na Oficina Cultural : 
Das 10h às 13h - Rodada de Negócios 
Das 14h às 17h - Oficina Dança Negra Contemporânea - Elicio Pitta - Cia C No Teatro Municipal de Uberlândia 
Das 19h às 20h, pátio externo, cortejo Terno de Congado Sainha 
Das 20h30min às 21h20min, grande teatro, CO És - Rui Moreira Cia. De Danças 
 
Carlinhos Santos é historiador, jornalista, crítico de dança, especialista em Corpo e Cultura e Mestre em Educação 

Autor / Fonte:Carlinhos Santos




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