Notícias

Rui Moreira inicia mais uma investigação coreográfica

RUI MOREIRA INICIA MAIS UMA INVESTIGAÇÃO COREOGRÁFICA

 O bailarino e coreógrafo Rui Moreira foi convidado pelos coordenadores da Produtora Cultural Humanitas Arte e Cultura para coreografar um espetáculo de dança contemporânea, fruto do Prêmio Klauss Vianna de Dança, ganhado a partir do Projeto Patas Arriba. O projeto foi baseado no livro Patas Arriba - La escuela del mundo al revés, do escritor Eduardo Galeano. A história revela um mundo desigual e mostra que para modificar uma realidade, as pessoas precisam primeiro conhecê-la. O espetáculo terá estreia em dezembro, no Theatro São Pedro, em Porto Alegre. Neste final de semana (5 e 6 de julho), Rui Moreira inicia os trabalhos ministrando duas oficinas de dança contemporânea, já na capital do Rio Grande do Sul. Essas oficinas fazem parte do processo de seleção dos bailarinos. A primeira, em parceria com o Grupo de Danças Urbanas Restinga Crew, tem o objetivo de abrir espaço para que os bailarinos da comunidade participem do elenco. A segunda será voltada para os bailarinos que já estão no circuito profissional de dança do Rio Grande do Sul. 
Patas Arriba / Dança Contemporânea 
Baseada na obra Patas Arriba - La escuela Del mundo al reves de Eduardo Galeano                 
Se Alice, do País das Maravilhas, renascesse nos nossos dias não necessitaria de um espelho para descobrir o mundo ao revés. Para explorar o mundo ao contrário bastaria que a personagem de Lewis Carroll olhasse através de uma janela. É o que medita Eduardo Galeano na sua obra Patas Arriba - La escuela del mundo al revés.             
Através da literatura de Galeano, autor contemporâneo, um dos mais célebres de toda a América Latina, surge a inspiração para um trabalho coreográfico engajado no questionamento de uma sociedade controversa e na poética da simplicidade dos meios de vida.             
Em Patas Arriba Galeano revela um mundo de desigualdades sociais e contradições nas relações impostas por diferentes formas de poderes, mas ao final da obra convida o leitor a um "voo", a usufruir do "direito ao delírio". A mensagem de Galeno, então, revela uma verdade contundente ao passo que promove uma possibilidade de reação, pois para o próprio autor "a primeira condição para modificar a realidade consiste em conhecê-la". 
É no "direito ao delírio" proposto em Patas Arriba, que buscamos elementos para a composição coreográfica, pois a proposta enche de inspiração e referências o mais duro dos leitores. Para ilustrar um "mundo diferente" e expressá-lo através da dança contemporânea convidamos um artista inserido na realidade brasileira e, portanto, sul-americana. Se a obra de referência é do Uruguai, país identificado com o Sul do Brasil, o coreógrafo e diretor, Rui Moreira, é um artista paulista que atua em Minas Gerais, e traz com sua participação muitos dos elementos das manifestações da cultura brasileira enriquecendo o trabalho coreográfico com alguns do muitos aspectos legítimos da nossa cultura. 
A criação de Rui Moreira é a um só tempo fator que legitima qualidade artística ao projeto por sua reconhecida trajetória e que promove a integração cultural brasileira, pois será sua primeira montagem autoral no contexto do Sul do Brasil. Para legitimar um bom trabalho artístico e qualidade técnica é proposta uma audição de bailarinos. Em trabalhos de campo reparamos que existem muitos bailarinos qualificados no Rio Grande do Sul. Reunir um elenco experiente e com competência é viável através de convocatórias para a seleção. Acredita-se que com a audição é possível a aproximação de bons artistas com o projeto, pois os bailarinos necessitam de oportunidade de trabalho remunerado e tendem a valorizar a oportunidade de vivência com o tão respeitado coreógrafo Rui Moreira. 
A operacionalização dos trabalhos para a composição de Patas Arriba fica por conta de Cláudia Daronch, uma das profissionais mais qualificadas no Estado, tendo experiência em grandes companhias de dança como o Ballet Teatro Guaíra e a Quasar Cia de Dança. Daronch fica responsável por um programa de treinamento e aperfeiçoamento contínuos do elenco e, também, pelos ensaios e assistência de direção. A trilha sonora fica por conta de Rodrigo Nassif, compositor versátil e de destaque no cenário musical brasileiro que acumula experiência na composição de trilhas com grupos cênicos. 
Nassif é um colaborador ideal para o projeto, pois é fundamental o estabelecimento do diálogo e da sensibilidade às questões da dança ao que tange a trilha para dança contemporânea. A criação dos figurinos será de responsabilidade de Alexandre Silva, premiado figurinista que acumula experiência com a dança contemporânea, sendo reconhecido diversas vezes por seu trabalho específico de indumentária para dança. O cenário, elaborado por Alejandro Velazco, colabora com a montagem de forma dinâmica. Uma velha janela de enormes proporções ocupa toda altura e todo o comprimento do palco. É a janela através da qual o público enxerga o mundo ao revés. A simplicidade estrutural, aos poucos, ganha vida com a dança e com as manifestações luminosas acrescidas de projeções que estimulam a imaginação dos espectadores. Em busca de possibilidades de inserção da dança contemporânea e sua subvenção, Patas Arriba propõe a ocupação do espaço cênico mais tradicional da cidade e, também, a ocupação de espaços alternativos, a fim de convencionar a versatilidade. 
O Theatro São Pedro, mais antigo e nobre teatro de Porto Alegre, recebe a montagem em sinal de respeito à articulação dos profissionais envolvidos. A presença de uma produção local de dança contemporânea em espaço tão tradicional é, sem dúvida, uma oportunidade de valorização dos artistas locais que se dedicam à dança. Em contrapartida, Patas Arriba cumpre temporada, também, em espaços alternativos ou teatros de menor porte da cidade (conforme possibilidade de editais ou convocatórias de ocupação) para garantir a desterritorialização da produção de dança e facilitar o acesso de públicos diversos.  
O cenário, elaborado por Alejandro Velazco, colabora com a montagem de forma dinâmica. Uma velha janela de enormes proporções ocupa toda altura e todo o comprimento do palco. É a janela através da qual o público enxerga o mundo ao revés. A simplicidade estrutural, aos poucos, ganha vida com a dança e com as manifestações luminosas acrescidas de projeções que estimulam a imaginação dos espectadores.  

Autor / Fonte:Zoon Comunicação




Comentários