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TRIZ em segunda turnê pelo país




Triz, a mais recente coreografia do Grupo Corpo, faz sua segunda turnê pelo país, desta vez em programa duplo com Onqotô



Recebida com entusiasmo pela crítica e pelo público nas quatro capitais brasileiras[1] incluídas em sua turnê de estreia ano passado e nas três cidades europeias[2] onde foi à cena em maio deste ano, Triz, a mais recente criação do Grupo Corpo e a segunda com trilha assinada por Lenine, dá início no próximo dia 7 de agosto à sua segunda gira pelo país. 


Como no ano passado, o roteiro tem como ponto de partida Belo Horizonte (Palácio das Artes, de 7 a 10 de agosto), a cidade-sede da companhia mineira, de onde segue para São Paulo (Teatro Alfa, 13 a 18 de agosto), Porto Alegre (Teatro do Sesi, 30 e 31 de agosto) e  Rio de Janeiro (Theatro Municipal, 4 a 7 de setembro). E, diferente do ano passado, quando o balé foi apresentado em programa duplo com Parabelo, de 1997,Triz terá como companhia desta vez Onqotô, de 2005, com trilha de Caetano Veloso e José Miguel Wisnik, que desde o ano seguinte à sua criação não sobe aos palcos brasileiros. Nos 12 meses que separam as duas turnês nacionais do balé, o Grupo Corpo fez circular sua arte, em cinco programas distintos, pelo Sudeste asiático (Bangkok e Singapura), o Leste europeu (Moscou), a Baixa Áustria (St Poelten), Baixa Saxônia (Wolfsburg, Alemanha), Península Ibérica (Modena e Vicenza, Itália), América do Norte (Vancouver, Canadá, e quatro cidades de três estados americanos) e América do Sul (Bogotá).  Cumprida a agenda nacional, a mais internacional das companhias de dança do país volta a atravessar o Atlântico para uma rodada europeia, envolvendo duas apresentações em Luxemburgo e vinte no Reino Unido, onde percorre nove cidades, em itinerário que inclui as quatro capitais do Estado (Londres, Cardiff, Belfast e Edimburgo).  Encerrada a turnê pelo Velho Mundo, o Grupo Corpo se recolhe para gestar uma nova coreografia, que, juntamente com a publicação de um livro de arte com a foto-trajetória da companhia, irá marcar a celebração de seus 40 anos de atividade em 2015.   


Triz 
Coreografia: RODRIGO PEDERNEIRAS 
Música: LENINE 
Cenografia: PAULO PEDERNEIRAS 
Figurino: FREUSA ZECHMEISTER 
Iluminação: PAULO PEDERNEIRAS e GABRIEL PEDERNEIRAS   
A sensação de estar sob a mira da mitológica espada de Dâmocles, suspensa por um tênue fio de crina de cavalo, foi tão imperativa durante todo o período de gestação da mais recente obra do Grupo Corpo que acabou não apenas se impondo como o grande mote para a sua criação, mas servindo, também, de inspiração para o seu nome - Triz, palavra de sonoridade onomatopaica, que tem nos vocábulos gregos triks/trikós (pelo, cabelo) sua mais provável origem etimológica, simbolizada pela expressão por um triz (por um fio). A trilha de Lenine desenha uma topografia musical recortada por subversões rítmicas (uma paixão) a partir de um único leitmotiv e utilizando somente instrumentos de corda. Numa obra onde a ocupação do espaço reflete a intermitência e a dubiedade diabólicas operadas no tempo da música urdida pelo compositor pernambucano, Rodrigo Pederneiras constrói uma partitura de movimentos marcada pela presença recorrente de trios, incomuns em sua caligrafia coreográfica, e abre espaço para uma série de duos femininos, como lenitivo e respiradouro necessários à execução dos movimentos pelos bailarinos - que, nas formações de grupo, atuam em estado de tensão permanente, onde qualquer átimo, um triz que seja de imprecisão, pode ser fatal. Com cerca de quinze quilômetros de cabo de aço, Paulo Pederneiras ergue uma arquitetura cênica que alude à presença soberana das cordas na trilha de Lenine, ao mesmo tempo em que se impõe como poderosa metáfora das limitações impostas à equipe de criação e aos intérpretes do Grupo Corpo na construção do espetáculo.

Freusa Zechmeister recorre a malhas inteiriças e ao uso exclusivo e blocado do preto e do branco para seccionar em duas metades, verticais e simétricas, o corpo dos bailarinos. Uma opção que leva às raias, a brincadeira em torno da relatividade do limite. Num espetáculo que se apropria do caráter opressor do limite como gatilho para a sua construção, os figurinos de Zechmeister surgem como o símbolo mais evidente (e pra lá de bem-humorado) de que a chave da superação pode estar na mera determinação de se manter em movimento.     


Onqotô 
Coreografia: RODRIGO PEDERNEIRAS 
Música: CAETANO VELOSO e JOSÉ MIGUEL WISNIK 
Cenografia e Iluminação: PAULO PEDERNEIRAS 
Figurino: FREUSA ZECHMEISTER   
Com trilha especialmente composta por Caetano Veloso e José Miguel Wisnik, Onqotô tem como ponto de partida uma bem-humorada discussão sobre a "paternidade" do Universo. De um lado, a teoria do Big-Bang, a grande explosão primordial, cuja expressão consagrada pela comunidade científica mundial parece atribuir à cultura anglo-saxônica dominante a criação do Universo; e, de outro, uma máxima espirituosa formulada pelo genial dramaturgo (e comentarista esportivo) Nelson Rodrigues sobre o clássico maior do futebol carioca, segundo a qual se poderia inferir que o Cosmos teria sido "concebido" sob o signo indelével da brasilidade: "O Fla-Flu começou quarenta minutos antes do nada". Instrumentais ou com letra, os nove temas musicais estabelecem uma sucessão de diálogos rítmicos, melódicos e intertextuais que, juntos, formam um sensível e vigoroso painel poético em torno do sentimento de perplexidade e desamparo do Homem diante da vastidão do Universo. Na coreografia criada por Rodrigo Pederneiras, verticalidade e horizontalidade, caos e ordenação, brusquidez e brandura, volume e escassez se contrapõem e se superpõem, em consonância (e, eventualmente, em dissonância) com a trilha musical, desvelando significados, melodias e ritmos que subjazem ao estímulo sonoro. Urdida com tiras de borracha cor de grafite, a cenografia de Paulo Pederneiras funda um espaço cênico côncavo que sugere tanto um recorte do globo terrestre com seus meridianos quanto um oco, um buraco negro, o nada ou a anterioridade de tudo. Com todos os refletores fixados na estrutura metálica que sustenta a fileira de tiras, a luz projetada por Paulo Pederneiras imprime na cena uma iluminação que remete à dos estádios de futebol. A figurinista Freusa Zechmeister transforma os bailarinos em uma massa anônima que se funde (e se confunde) com o espaço cênico, permitindo, deste modo, que coreografia e cenário exerçam plenamente sua tridimensionalidade.   


GRANDE TEATRO DO PALÁCIO DAS ARTES 
Dias  - 7 a  10  de agosto   
Quinta, Sexta e sábado 20h30 | domingo, 19h   
Classificação etária: livre   
Inteira: R$80,00 | meia: R$40,00 
Ingressos a venda na bilheteria do Teatro e pelo ingresso.com   
Av. Afonso Pena, 1537    
( 3236.7400   ......................................................................................................................................
PATROCÍNIO: PETROBRAS, ITAÚ, CEMIG. Apoio Cultural: OI, OI FUTURO, ITAÚ CULTURAL, ELETROBRAS FURNAS. 

Autor / Fonte:angela@noir.com.br




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